Nunca x Sempre

Se há duas palavras que deveriam ser excluídas, ou ao menos evitadas, em nosso vocabulário, são Nunca e Sempre. Ambas fazem promessas com relação a um futuro sem a menor garantia que serão cumpridas, já que o tempo e os acontecimentos não estão na palma de nossas mãos.

Quando você diz que nunca irá perdoar alguém você está assegurando que, em tempo algum, será tocado pelo perdão ou pela saudade. O nunca, de certa forma, te proíbe de voltar atrás. O nunca nos faz pagar língua até nas coisas mais banais. Quando você jura para si mesmo que nunca irá comer suflê de repolho você não imagina que, dentro de alguns meses, estará saboreando essa ‘delícia’ justo no primeiro jantar na casa do seu namorado. Quando você afirmou com toda a convicção do mundo que nunca dançaria pagode ou funk você não podia prever que faria isso num nível 3 de álcool. Enfim, quando você disse que nunca esqueceria o Dudu que conheceu em Guarapari, você não sabia que, mais tarde, ele se tornaria só mais um romance de carnaval. Quando você disse que nunca colocaria os pés numa prisão, você não esperava ter de pagar a fiança do seu filho um dia.

Por outro lado, quando você suspirou dizendo que amaria as músicas do KLB para todo o sempre, você não fazia idéia do que era gosto musical. Quando você afirmava que sempre seria a mesma, você não contava que as circunstâncias da vida te fariam mudar tanto. Quando você prometeu que sempre moraria na sua pacata cidade natal, você não sonhava em receber uma proposta de trabalho irrecusável na Flórida. Quando você se gabou dizendo que sempre tem humildade para pedir desculpas, você não sabia que o orgulho um dia te invadiria.

Assim são os sempres e os nuncas da vida. Por vezes, nos fazem cair em contradições….por vezes, nos fazem cometer atos que, em outra época, reprenderíamos. Ambas são palavras fortes que, embora não pensemos, deveriam ser ditas com mais cautela.

O nunca é soberbo, pretensioso, autoritário. Já o sempre é vago, costuma soar falso e, ao mesmo tempo, é ilusório.

Mas, sejamos flexíveis. Existe algo melhor que ouvir de quem amamos um “Nunca vou te abandonar” ou um “Sempre estarei ao seu lado”?

Mesmo sabendo que essas palavras são meras promessas que podem ser desfeitas pelas armadilhas da vida, não cansamos de proferí-las e, muito menos, de ouví-las. A sensação é de proteção, de segurança, de acolhimento. Neste caso, o conforto momentâneo das palavras se torna mais importante que qualquer pretensão. Que se dane o amanhã, sempre vale à pena fazer promessas para quem amamos. Nem que seja só por hoje.

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