Desencontros

Nossos relógios nunca se ajustaram. Nosso tempo nunca foi mesmo. Nossos pés nunca seguiram a mesma direção. Das vezes que nos cruzamos, nenhuma foi por inteiro. Nunca entendi. Você deixou as pegadas, eu segui, achei que chegaria em algum lugar, mas errei o caminho. Me enganei. Depois você veio. Ora estava aqui, ora ali. Por infinitas vezes, a vida interrompia nosso percurso. Eu partia, depois voltava. Éramos pura oscilação. Sempre freando, retrocedendo, indo e vindo. Você se desviando dos meus passos e eu dos seus. Até que um dia, eu perdi de vez a bússola que me levava até você. E quando você finalmente resolveu se ajustar ao meu relógio, era tarde demais. Você estava em horário de verão. E eu não.

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Uma teoria sobre o amor

Engana-se aquele que acredita que o amor já basta para a felicidade de um casal. Eu tenho uma teoria: O amor é apenas 50% de um relacionamento.  Sem ele, impossível dar certo. Somente com ele, impossível do mesmo jeito. O amor não nos dá garantia de felicidade.

E onde estão os outros 50%? Estão distribuídos por aí, numa série de requisitos, conquistados dia após dia. Eles estão no respeito – esse é trivial, questão de sobrevivência mesmo. Quem respeita não ofende, não humilha, não trata mal, não aponta falhas, não difama, não trai. Do que adianta ouvir ‘eu te amo’ e não ser respeitada?

Estão na admiração, porque é necessário sentir orgulho pelo que vê no outro, orgulho de sua essência e de como ele encara e leva a vida. Na cumplicidade e no companheirismo, para todos os momentos. Para enfrentar lutas, dividir sonhos, superar perdas, levantar de quedas, almejar coisas e fazer planos. Um casal que não se apóia não pode dar certo. Amar é dar as mãos e caminhar juntos, vencendo os obstáculos que surgem no caminho.

Os 50% também estão na amizade, porque é importante se desligar um pouco das características romântico-sexuais e sentir uma dose de pureza, afeição e lealdade de um amigo verdadeiro. Para aconselhar, para compartilhar lamúrias e decepções, para secar lágrimas, para brincar, para poder contar sempre, em qualquer hipótese.

No equilíbrio, porque um amor saudável é feito do equilíbrio que um proporciona ao outro. A estabilidade que acalma a inquietude, a paz que silencia o medo, a paciência que releva o estresse, a alegria que combate o desânimo. Carinho, porque todo mundo precisa de um colo de vez em quando, porque o carinho é o gesto que fala pelo amor.

Os 50% de um relacionamento também estão na individualidade, porque um sentimento maduro é aquele que reconhece que envolve duas pessoas e não apenas uma.  E cada uma, tem as próprias necessidades, os próprios prazeres, a própria vida e precisa, obviamente, do próprio espaço. Não pode ser uma relação de dependência. O amor não deve servir para completar, mas sim para somar.

E, claro, na intimidade. A falta de vergonha é amiga íntima do amor. É preciso ter muita cara de pau para ser bobo, ridículo, intenso, louco e apaixonado. É preciso se sentir a vontade para falar sobre tudo, sem pudor. Sobre qualquer besteira, sem medo de parecer idiota. É preciso se permitir ser criança novamente, quando der na telha, sem medo de parecer imaturo. O amor que não tem liberdade e não se expulsa para fora do coração, de tão quieto, acaba estagnado.

Como já era de se esperar, é necessário também uma pequena porcentagem de compatibilidade, não falo características, já que a graça da vida está justamente no fato de aceitar os diversos gostos e personalidades. Falo da semelhança de objetivos, de projetos, de sonhos. Não importa o tamanho do amor, se os objetivos forem diferentes, mais cedo ou mais tarde, alguém vai ter que abrir mão de algo. Do amor ou dos sonhos.

E, por último, talvez a mais importante: A confiança. Essa é para o amor o que o oxigênio é para nós – Essencial. Creio que é impossível amar sem confiar, do contrário, o amor se resume em perseguições, ouvidos atentos demais, olhos abertos demais, mente preocupada demais e, quando você menos esperar, estará ridiculamente checando se há marca de batom na roupa dele ou coisas do tipo.

Amar é relaxar e se entregar sem medo de ser feliz. Sem conspirar, sem tentar maquinar algo pra descobrir onde e com quem ele passou a tarde. Confiar vale a pena, até que o contrário nos seja provado. E quando isto acontecer, ainda que doa, o amor deve partir, penso eu. Pois assim como a delicadeza de um cristal, uma vez destruída, a confiança jamais se reconstitui.

Guardado

O amor, quando chega, é tão avassalador muita gente sai anunciando esse momento especial para Deus e o mundo. A felicidade é tamanha que desabafar é uma forma de compartilhar os friozinhos, os calafrios, as bobices.  Até aí tudo bem.  O triste é que, ultimamente, o amor está banalizado demais. Ama-se fácil, entrega-se fácil, faz-se juras de amor fácil demais.

Compartilhar a felicidade é uma coisa, compartilha-se com uns, com os mais íntimos, com aqueles que conhecem a nossa alma e que realmente torcem por nossos sorrisos. O que vemos por aí são casais que mal se conhecem e se declaram publicamente “Felizes para sempre”.  O profile das redes sociais passa a ser de ambos – excluindo a individualidade de cada um- e as fotos românticas acompanham declarações precipitadas como “Para sempre te amarei”, ou “Amor igual ao teu eu nunca mais terei”.

O engraçado é que já vi essa cena acontecer com uma só pessoa diversas vezes. Meses depois, o amor mudou de nome, endereço e telefone. O álbum foi renovado e o coração passou por uma faxina das boas. Esquece-se completamente o anterior e os verbos mudam de sujeito e predicado. Troca-se de amor como troca-se de sapatos. Jura-se amor eterno sem considerar o peso das palavras. Ama-se fácil, promete-se em vão.

O amor, o amor mesmo, aquele verdadeiro, não precisa ser ostentado. Ele quieto, já diz muito. E quando diz, diz direto a quem interessa. Diz com um olhar, com uma mensagem secreta, com um abraço sincero, um beijo doce e de outras infinitas formas. Basta que a certeza esteja ali, no coração de quem sente. Nada mais. O companheirismo e os momentos de carinho, ainda que intensos, merecem ser guardados a sete chaves. Ninguém precisa pensar que vocês são o casal mais feliz do mundo, e mesmo que sejam, isso não precisa ser exibido como um troféu.

Acredite, o amor é algo tão valioso que guardado fica mais seguro.

Mania de querer MAIS

Mania de querer MAIS

É, eu tenho a mente inquieta e o coração faminto. Tenho sede de viver, sede de sonhar, sede de amar.

Eu quero. Quero mais cor, mais brilho, mais intensidade. Quero mais insanidade, mais aventura, menos preocupação e um pouco de irresponsabilidade. Quero menos palavras e mais ações.

Quero ser surpreendida, quero vê em seus olhos a vontade de me levar pra qualquer lugar sem olhar para trás. Quero me deitar no seu ombro e admirar as estrelas.

Quero ouvir você cantar no meu ouvido, gestos inusitados num dia comum, quero perder o fôlego, quero um amor sem sentido, quero voltar pro século XVIII, quero mais romantismo.

Quero até as lágrimas depois das nossas brigas bobas , um abraço acolhedor e um beijo dado como se fosse o último. Quero a sua paz para inquietar minha pressa, sua calmaria para equilibrar meu gênio forte, quero seu abrigo, quero o sossego de estar com você depois de um dia tedioso.

Quero mais amor. Quero um refúgio para escapar da realidade dolorosa, da rotina maçante, da vida agendada.

Eu sei, você me acha louca.. Você não tem culpa da minha urgência, da minha mania de querer demais, de sonhar demais, de fantasiar demais. Me regula, me  julga chata, dramática, exagerada, autoritária. Tenta frear meus impulsos e minhas ousadias.

Pode parecer demais, eu sei. Se você quiser, pode até me dizer milhares de frases bonitas, elas até soam bem aos ouvidos, mas não me satisfazem, não matam a minha sede. Que culpa tenho eu de amar demais, sofrer em excesso, acreditar ao extremo. Sou assim, o morno nunca me fascinou.

Pode parecer ilusão, eu também sei. Mas, se você pensar bem, verá que não estou pedindo tanto assim. Só quero ser feliz ao meu modo e ver o clássico “Eu te amo” materializado em gestos impensados, imprevisíveis, insanos e verdadeiros.

Amores são coisas da vida

   

As pessoas podem ter as diferenças mais escandalosas, ser completamente opostas no modo de pensar, nos valores, nos ideais, mas, em um ponto, todos somos consensuais:  Amar é fundamental. O amor traz cores a nossos dias cinzentos, traz energia aos dias que se arrastam, traz fantasia para aliviar o choque de realidade.

Ah, o amor. Ele é essencial em todas as suas formas.  Amar a vida, amar o trabalho. Amar a família, amar os amigos, amar a natureza, amar os animais, amar as coisas simples da vida, amar o próximo, amar a si mesmo. Cada um ama de um jeito, – eu amo de forma exagerada, intensa -, outros simplesmente amam, de forma singela, mais branda. Uns amam silenciosamente, discretamente, outros amam aos gritos. Uma coisa é fato: O amor nunca é racional. Mesmo sabendo que esse, inevitavelmente, vai nos derrubar algumas lágrimas, sempre queremos sentí-lo. Queremos, desesperadamente, amar e ser amados.

Amores não correspondidos – os mais tristes – mas existem aos montes. Amores perdidos, que machucam, corroem por dentro e continuam intactos. Amores passageiros, amores de verão, que se vão com o vento, mas deixam lindas lembranças. Amores mal resolvidos, interrompidos… Que nos fazem tentar prever um futuro que poderia ter sido. Amores antigos que resistem ao tempo. Amores puros que nascem de uma amizade. Amores que são construído com a convivência. Amores indiscretos. Amores insensatos. Amores proibidos.

Amar é se sentir seguro, protegido. É ser o mundo de alguém e ser o mundo para alguém. Ah, como o amor é lindo! Mas como ele seria ainda mais lindo – e menos doloroso – se não colocássemos sobre ele toda a responsabilidade por nossa felicidade. Uma parcela considerável de nossa felicidade depende do amor? A minha resposta é sim. Mas, não se iluda, a única metade da laranja que pode te completar é você mesma, com sua própria maneira de encarar e viver a vida. Fazer dos seus dias mais felizes é uma tarefa sua e, neste caso, o amor é apenas a cereja do bolo. Aliás, uma cereja indispensável.

O amor e o desejo


Muitos dizem que a felicidade só é encontrada quando o amor bate a nossa porta. Frio na barriga, coração batendo forte e todos aqueles clichês quando o assunto é amor. Concordo plenamente, se existe felicidade, sem o amor é que não há de ser.

Mas, será mesmo que o amor deixa de ser amor quando essas sensações gostosas se emudecem nos relacionamentos?

Li algo parecido no livro “Por que os homens amam as mulheres poderosas” (sim, eu li, é ótimo, e nada tem a ver com auto-ajuda). A autora diz que as pessoas, os homens em especial, estão sempre em busca de um objetivo mental. Ou seja, as mulheres não devem deixá-los 100% seguros porque, assim, o desejo acaba.

Anos de convivência, você o ama, ele te ama. Mas, então, por que será que ele não sente mais o acelerar do peito quando ouve a sua voz no telefone? Simples, porque você já é, de certa forma, dele. Só desejamos aquilo que não nos pertence.

Vejamos um exemplo. Você está doida para comprar aquela roupa linda que viu na vitrine e, quando compra, fica hiper feliz, quase em lua de mel com o modelito. Mas, algum tempo depois, você já se acostuma com a roupa e, embora  ainda goste dela, sente necessidade de comprar outra e outra, e assim vai. Só para ter aquela sensação gostosa pós-compra. (Tudo bem, o exemplo foi infeliz)

Então. Ele te ama e ainda te acha linda e atraente. Vocês adoram estar juntos. Mas aqueles efeitos colaterais que nos deixam abobados diante de alguém é prioridade de dois corações que ainda estão se conhecendo, sendo conquistados..Que ainda não se pertencem, que ainda não conviveram dias a fio. Calma lá, isso não quer dizer que um de vocês deva sair atrás de “novas roupas” por aí! Não me entendam mal. O que quero dizer é: O amor possui fases  e a fase da conquista é apenas a primeira delas.

Ingênuo é aquele que embarca em uma traição em busca de sentir novamente o coração palpitante. Adivinhe: Mais cedo ou mais tarde, as borboletas no estômago vão desaparecer novamente.  E essa busca será incessante e inútil. Falta de romantismo? Não, apenas realismo. Acredite, romântica como sou, também custei a entender isso.

Já dizia o Cazuza, eu quero a sorte de um amor tranqüilo. Desejos passam, o amor fica. E, este, por sua vez, é paciente, puro, fiel, compreensivo e, acima de tudo, maduro.

Nunca x Sempre

Se há duas palavras que deveriam ser excluídas, ou ao menos evitadas, em nosso vocabulário, são Nunca e Sempre. Ambas fazem promessas com relação a um futuro sem a menor garantia que serão cumpridas, já que o tempo e os acontecimentos não estão na palma de nossas mãos.

Quando você diz que nunca irá perdoar alguém você está assegurando que, em tempo algum, será tocado pelo perdão ou pela saudade. O nunca, de certa forma, te proíbe de voltar atrás. O nunca nos faz pagar língua até nas coisas mais banais. Quando você jura para si mesmo que nunca irá comer suflê de repolho você não imagina que, dentro de alguns meses, estará saboreando essa ‘delícia’ justo no primeiro jantar na casa do seu namorado. Quando você afirmou com toda a convicção do mundo que nunca dançaria pagode ou funk você não podia prever que faria isso num nível 3 de álcool. Enfim, quando você disse que nunca esqueceria o Dudu que conheceu em Guarapari, você não sabia que, mais tarde, ele se tornaria só mais um romance de carnaval. Quando você disse que nunca colocaria os pés numa prisão, você não esperava ter de pagar a fiança do seu filho um dia.

Por outro lado, quando você suspirou dizendo que amaria as músicas do KLB para todo o sempre, você não fazia idéia do que era gosto musical. Quando você afirmava que sempre seria a mesma, você não contava que as circunstâncias da vida te fariam mudar tanto. Quando você prometeu que sempre moraria na sua pacata cidade natal, você não sonhava em receber uma proposta de trabalho irrecusável na Flórida. Quando você se gabou dizendo que sempre tem humildade para pedir desculpas, você não sabia que o orgulho um dia te invadiria.

Assim são os sempres e os nuncas da vida. Por vezes, nos fazem cair em contradições….por vezes, nos fazem cometer atos que, em outra época, reprenderíamos. Ambas são palavras fortes que, embora não pensemos, deveriam ser ditas com mais cautela.

O nunca é soberbo, pretensioso, autoritário. Já o sempre é vago, costuma soar falso e, ao mesmo tempo, é ilusório.

Mas, sejamos flexíveis. Existe algo melhor que ouvir de quem amamos um “Nunca vou te abandonar” ou um “Sempre estarei ao seu lado”?

Mesmo sabendo que essas palavras são meras promessas que podem ser desfeitas pelas armadilhas da vida, não cansamos de proferí-las e, muito menos, de ouví-las. A sensação é de proteção, de segurança, de acolhimento. Neste caso, o conforto momentâneo das palavras se torna mais importante que qualquer pretensão. Que se dane o amanhã, sempre vale à pena fazer promessas para quem amamos. Nem que seja só por hoje.

Quem vai dizer tchau

Hoje, por um acaso,  escutei uma música da qual eu nem me lembrava mais: Quem vai dizer Tchau, do Nando Reis.

Prestando atenção na letra, a gente percebe que se trata de um homem que lamenta o fim do amor que sentia pela sua mulher ou namorada, enfim. Ele se pergunta quando foi que isso aconteceu e quem terá a iniciativa de terminar, ou seja, dizer tchau.
Mais a frente, a letra diz:

“A gente não percebe o amor
Que se perde aos poucos sem virar carinho.
Guardar lá dentro amor não impede,
Que ele empedre mesmo crendo-se infinito.
Tornar o amor real é expulsá-lo de você,
Pra que ele possa ser de alguém!”


Ou seja, se não cultivarmos, se não regarmos o amor como uma planta que necessita de água para sobreviver, ele se perde aos poucos sem que a gente sequer perceba.

Se a pessoa que você ama  sabe e tem toda a certeza do mundo que você também a ama, isso não impede que esse amor se perca com o passar do tempo. Ter essa certeza dentro do seu coração não torna o amor resistível às armadilhas do tempo, da convivência, da rotina. Dizer que ama todos os dias, sem fazer esforço para aumentar esse amor, não impede que ele fique estagnado, empedrado.
Não basta amar e saber que é amado, é preciso sentir e, para tal, é preciso externar, expulsar esse sentimento como a música diz.

Penso que mais difícil que conquistar o amor, é mantê-lo vivo todos os dias, respirando.  Mas, infelizmente, o que vemos hoje é uma vez conquistado o amor, ele se torna uma espécie de obviedade, lógica, está sempre subentendido, e não mais explícito.

Para estar vivo, o amor precisa estar fora de nós, trazendo sorriso a alguém, trazendo cumplicidade, trazendo força, intensidade.

Por isso, ame, ame muito, mas não guarde esse amor, verbalize, perdoe, escute, relembre, aconselhe, compartilhe, dê privacidade, compreenda, seja bobo, deseje e realize. Antes que o amor se esvaia e você tenha que dizer tchau para ele.

Inaugurando..

Olá!
Para abrir meu blog, escolhi uma crônica da escritora Martha Medeiros, que fala de saudade e marcou muito a minha vida
Espero que gostem.

SAUDADE

“Em alguma outra vida devemos ter feito algo de muito grave ou ruim para sentirmos tanta saudade”

Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa.
Dói morder a língua, dói cárie, dói cólica e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira de infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas, mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença e até da ausência consentida.
Você podia ficar no quarto e ela na sala, sem se verem,
Mas sabiam-se lá.
Você podia ir para escola e ela para o trabalho ou para a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, e ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se o fim de semana.
Contudo, quando o sentimento de um acaba ou torna-se menor ao outro sobra apenas uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber se ele continua fungando na hora de dormir.
Não saber se ela ainda carrega aquela mochila para qualquer lugar que ela vá.
Não saber se ele continua amando macarrão.
Não saber se ela continua a ser tão ciumenta e neurótica.
Se ele continua assistindo as aulas.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre de dieta.
Se ele continua adorando vodka.
Se ela está fumando menos.
Se ele continua sorrindo daquele jeito lindo.
Se ela aprendeu a pensar mais com a cabeça do que com o coração.
Se ele continua levando tudo na sacanagem.
Se ela continua viciada em doce.
Se ele continua usando aquele samba-canção engraçada.
Se ela continua gostando tanto dele como antes mesmo depois de tudo que aconteceu.
Se ele continua sendo tão fechado daquele jeito por medo de sofrer.
Se ela continua a ser tão romântica.
Se ele continua a ser tão bom de papo.
Se ela ainda ama açaí.
Se ele continua com aquele sotaque e girias engraçadas.
Se ela continua loira.
Se ele continua adorando suco de maracúja.
Se ela ainda usa óculos.
Se ele ainda usa o mesmo corte de cabelo.
Se ela continua com aquela pele branca feito vela.
Se ele continua com aquele problema de suar demais.
Se ela continua a confiar em todo mundo e se ele continua achando isso tão errado.
Saudade é não saber mesmo.
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais longos.
Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento.
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música.
Não saber como vencer a dor de um silencia que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ele está com outra e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ela está feliz e ao mesmo tempo perguntar a todos por isso.
É não quere saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama e ainda assim doer.
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você provavelmente está sentindo depois do que acabou de ler.

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