Novo Endereço

Oi, Gente.

O Atelier de Palavras ganhou um novo endereço >: http://www.atelierdepalavras.com.br/

Portanto, este blog não será mais atualizado.

A mudança foi feita, é claro, para melhorar o blog.

Espero vocês, lá.

Beijos

 

Renata Stuart

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Desencontros

Nossos relógios nunca se ajustaram. Nosso tempo nunca foi mesmo. Nossos pés nunca seguiram a mesma direção. Das vezes que nos cruzamos, nenhuma foi por inteiro. Nunca entendi. Você deixou as pegadas, eu segui, achei que chegaria em algum lugar, mas errei o caminho. Me enganei. Depois você veio. Ora estava aqui, ora ali. Por infinitas vezes, a vida interrompia nosso percurso. Eu partia, depois voltava. Éramos pura oscilação. Sempre freando, retrocedendo, indo e vindo. Você se desviando dos meus passos e eu dos seus. Até que um dia, eu perdi de vez a bússola que me levava até você. E quando você finalmente resolveu se ajustar ao meu relógio, era tarde demais. Você estava em horário de verão. E eu não.

Uma teoria sobre o amor

Engana-se aquele que acredita que o amor já basta para a felicidade de um casal. Eu tenho uma teoria: O amor é apenas 50% de um relacionamento.  Sem ele, impossível dar certo. Somente com ele, impossível do mesmo jeito. O amor não nos dá garantia de felicidade.

E onde estão os outros 50%? Estão distribuídos por aí, numa série de requisitos, conquistados dia após dia. Eles estão no respeito – esse é trivial, questão de sobrevivência mesmo. Quem respeita não ofende, não humilha, não trata mal, não aponta falhas, não difama, não trai. Do que adianta ouvir ‘eu te amo’ e não ser respeitada?

Estão na admiração, porque é necessário sentir orgulho pelo que vê no outro, orgulho de sua essência e de como ele encara e leva a vida. Na cumplicidade e no companheirismo, para todos os momentos. Para enfrentar lutas, dividir sonhos, superar perdas, levantar de quedas, almejar coisas e fazer planos. Um casal que não se apóia não pode dar certo. Amar é dar as mãos e caminhar juntos, vencendo os obstáculos que surgem no caminho.

Os 50% também estão na amizade, porque é importante se desligar um pouco das características romântico-sexuais e sentir uma dose de pureza, afeição e lealdade de um amigo verdadeiro. Para aconselhar, para compartilhar lamúrias e decepções, para secar lágrimas, para brincar, para poder contar sempre, em qualquer hipótese.

No equilíbrio, porque um amor saudável é feito do equilíbrio que um proporciona ao outro. A estabilidade que acalma a inquietude, a paz que silencia o medo, a paciência que releva o estresse, a alegria que combate o desânimo. Carinho, porque todo mundo precisa de um colo de vez em quando, porque o carinho é o gesto que fala pelo amor.

Os 50% de um relacionamento também estão na individualidade, porque um sentimento maduro é aquele que reconhece que envolve duas pessoas e não apenas uma.  E cada uma, tem as próprias necessidades, os próprios prazeres, a própria vida e precisa, obviamente, do próprio espaço. Não pode ser uma relação de dependência. O amor não deve servir para completar, mas sim para somar.

E, claro, na intimidade. A falta de vergonha é amiga íntima do amor. É preciso ter muita cara de pau para ser bobo, ridículo, intenso, louco e apaixonado. É preciso se sentir a vontade para falar sobre tudo, sem pudor. Sobre qualquer besteira, sem medo de parecer idiota. É preciso se permitir ser criança novamente, quando der na telha, sem medo de parecer imaturo. O amor que não tem liberdade e não se expulsa para fora do coração, de tão quieto, acaba estagnado.

Como já era de se esperar, é necessário também uma pequena porcentagem de compatibilidade, não falo características, já que a graça da vida está justamente no fato de aceitar os diversos gostos e personalidades. Falo da semelhança de objetivos, de projetos, de sonhos. Não importa o tamanho do amor, se os objetivos forem diferentes, mais cedo ou mais tarde, alguém vai ter que abrir mão de algo. Do amor ou dos sonhos.

E, por último, talvez a mais importante: A confiança. Essa é para o amor o que o oxigênio é para nós – Essencial. Creio que é impossível amar sem confiar, do contrário, o amor se resume em perseguições, ouvidos atentos demais, olhos abertos demais, mente preocupada demais e, quando você menos esperar, estará ridiculamente checando se há marca de batom na roupa dele ou coisas do tipo.

Amar é relaxar e se entregar sem medo de ser feliz. Sem conspirar, sem tentar maquinar algo pra descobrir onde e com quem ele passou a tarde. Confiar vale a pena, até que o contrário nos seja provado. E quando isto acontecer, ainda que doa, o amor deve partir, penso eu. Pois assim como a delicadeza de um cristal, uma vez destruída, a confiança jamais se reconstitui.

Palavra do dia – Caio Fernando Abreu

 

Exatamente assim. Pesada, sufocada. Ando com uma vontade tão grande de receber todos os afetos, todos os carinhos, todas as atenções. Quero colo, quero beijo, quero cafuné, abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros, quero parar de me doar e começar a receber.

– Caio Fernando Abreu –

Palavra do Dia – Clarice Lispector

“Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela
só tenho uma chance de fazer o que quero.
Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce
dificuldades para fazê-la forte,
Tristeza para fazê-la humana e
esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas
elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos”

– Clarice Lispector –

Apenas um desabafo

Não sou alguém fácil de conviver, sei disso. Faço tempestades, ajo por impulso, e às vezes me arrependo. Tenho uma TPM destruidora e sou sensível ao extremo, se estou triste, choro litros, mas se estou alegre, solto sorrisos até as orelhas e tento contagiar o ambiente.  Tenho mania de sinceridade constante, e por isso, acabo magoando certas pessoas, com essa coisa de falar sempre o que eu penso. Entendo, nem todo mundo é igual a ninguém, tem gente que entende essa minha franqueza como “tirada” ou “arrogância”. Mas quem me conhece sabe que sou assim. Não guardo o que sinto, especialmente se tenho intimidade com você. Falo mesmo. Falo sobre o que me agrada, sobre o que me incomoda. Se você me chateou, não vou fechar a cara, me afastar e ficar fria sem te dar explicações, esperando o tempo ajeitar as coisas.  Vou te procurar,  abrir o jogo, explodir sobre tudo o que penso e tentar resolver, com a maior boa vontade do mundo. Ao menos que você não faça diferença para mim. Mas sabe, gosto de ser assim, sabe por quê? Às vezes magoamos as pessoas sem intenção, a gente erra e nem sabe. Seria bom que as pessoas, ao invés de se afastarem e se perderem, fossem abertas: “Olha, não gostei do que você fez” ou “O que eu fiz para te magoar?”.  Se gosto de você, luto para ficar bem com você. Outra coisa, não faço nada que me desagrade para agradar aos outros, aprendi isso com minha mãe. Um pouco de egoísmo é necessário, por questão de sobrevivência mesmo. Se você me convidar para um programa, e eu for, pode ter certeza absoluta de que ali eu queria estar, não fui por consideração, educação e afins.  Fui porque  quis e ponto. A pior coisa é fazer algo contra a própria vontade. Sou uma boa amiga, sempre valorizei amizades. Sei dar conselhos, adoro ajudar, tenho até um lado psicóloga, eu acho. Sei consolar meus amigos, sei chorar com eles, sei passar a mão na cabeça, mas também sei dar bronca. Já que me pediu conselho: agora agüenta. E Tenho um grande defeito: Não sei engolir sapos. Tem coisa que não desce, sabe? É mais forte que eu. Sou muito bacana, até que pisem no meu calo ou no calo de quem eu amo. (Sim, eu tomo as dores pelas pessoas significantes na minha vida). Não tolero ofensas, falta de educação, falsidade, cinismo. Ignoro quem não gosta de mim, afinal, é impossível agradar a todos. Mas não sei me calar diante de certos absurdos. Também sei ser má, afinal, ninguém é bonzinho o tempo todo. Tenho uma amiga que já até me pediu um favor muito engraçado, uma vez.  Era para fazer uma carta falando umas ‘verdades’ para uma pessoa, como se fosse ela. Quando perguntei por que fui escolhida ela disse “Você é boa com as palavras, sabe machucar, sabe atingir a pessoa”. Eu podia considerar isso como uma crítica, mas confessei: “É, quando eu quero, eu sei mesmo”. E também sei reclamar meus direitos e valorizo um bom atendimento. Não volto a um lugar em que fui mal atendida, jamais. Tenho bom humor e adoro que me façam rir, rir muito, de verdade. Mas não sei rir de tudo. Às vezes, as pessoas riem exageradamente de coisas banais e eu fico achando que tenho algum problema, sei lá. Não sei forçar. Ahhh, também não sei suportar quem não me faz bem, procuro me afastar e mantenho pertinho só quem me faz mais feliz. Gosto de ambientes leves, sem conspirações, sem olhares desconfiados, sem sorrisos forçados. Gosto da transparência. Outra coisa, não sei esconder minha dor, às vezes ela extrapola para fora de mim, me entrega no olhar, no sorriso sem graça de canto de boca e às vezes acaba escorrendo pelos olhos. Tenho o gênio forte, não sou boba, mas sou boa. Sei dizer não quando preciso, mas não sei dizer não para vendedores ambulantes de balas, de pano, de agulha, caneta ou qualquer outra bugiganga. Algo dentro de mim me toca e me incomoda, fazendo eu me sentir na obrigação de comprar, apenas para ajudar. Imagino as dificuldades que a pessoa enfrenta e de como aquele dinheiro será importante para ela.  Ahh, enfim, sou um amontoado de coisas, sentimentos e sensações. Por trás desta casca de durona, determinada e decidida, há alguém sensível e, diversas vezes, insegura, sem chão, sem rumo. Mas sempre me levanto e prossigo. Tenho traços que são qualidades aos olhos de uns e defeitos aos olhos de outros… Nada é definido, tudo sempre relativo. Mas o que importa é que estou sempre em busca de me tornar melhor aos meus olhos. Luto, diariamente, e peço a Deus para me tornar alguém mais forte, mais sábia, mais feliz. Claro, sem deixar de ser eu mesma.

Guardado

O amor, quando chega, é tão avassalador muita gente sai anunciando esse momento especial para Deus e o mundo. A felicidade é tamanha que desabafar é uma forma de compartilhar os friozinhos, os calafrios, as bobices.  Até aí tudo bem.  O triste é que, ultimamente, o amor está banalizado demais. Ama-se fácil, entrega-se fácil, faz-se juras de amor fácil demais.

Compartilhar a felicidade é uma coisa, compartilha-se com uns, com os mais íntimos, com aqueles que conhecem a nossa alma e que realmente torcem por nossos sorrisos. O que vemos por aí são casais que mal se conhecem e se declaram publicamente “Felizes para sempre”.  O profile das redes sociais passa a ser de ambos – excluindo a individualidade de cada um- e as fotos românticas acompanham declarações precipitadas como “Para sempre te amarei”, ou “Amor igual ao teu eu nunca mais terei”.

O engraçado é que já vi essa cena acontecer com uma só pessoa diversas vezes. Meses depois, o amor mudou de nome, endereço e telefone. O álbum foi renovado e o coração passou por uma faxina das boas. Esquece-se completamente o anterior e os verbos mudam de sujeito e predicado. Troca-se de amor como troca-se de sapatos. Jura-se amor eterno sem considerar o peso das palavras. Ama-se fácil, promete-se em vão.

O amor, o amor mesmo, aquele verdadeiro, não precisa ser ostentado. Ele quieto, já diz muito. E quando diz, diz direto a quem interessa. Diz com um olhar, com uma mensagem secreta, com um abraço sincero, um beijo doce e de outras infinitas formas. Basta que a certeza esteja ali, no coração de quem sente. Nada mais. O companheirismo e os momentos de carinho, ainda que intensos, merecem ser guardados a sete chaves. Ninguém precisa pensar que vocês são o casal mais feliz do mundo, e mesmo que sejam, isso não precisa ser exibido como um troféu.

Acredite, o amor é algo tão valioso que guardado fica mais seguro.

Palavra do dia – Fernando Pessoa

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”

– Fernando Pessoa –

Pausa para o amor

Chegada do Carnaval aumenta o número de solteiros no Facebook e assusta Mark. Esta foi a notícia que saiu um dia desses no portal G17.

Não foi só o Zuckerberg que se assustou. Eu, mesmo sabendo que isso acontece (mesmo!), ainda me assusto ao constatar que existem notícias assim, relacionamentos assim e, principalmente, homens assim.

É impressionante como nessa época todo mundo resolve entrar em “crise”. Qualquer coisinha é motivo de término em vésperas de folia. “Preciso de um tempo, meu bem, nosso relacionamento caiu na rotina, está desgastado.” Há-há. Não me diga. E só agora você se deu conta disso, bebê?

Pausa para o amor. O carnaval chegou. O cara embarca com os amigos para a curtição e, sem olhar pra trás, deixa a namorada aqui, apenas com um controle remoto para assistir as escolas de samba pela TV. Tudo isso por um feriado de quatro dias, regado a cerveja, vodka, cachaça, azaração, e beijo na boca em um bando de desconhecidas no cio. (Estou generalizando, meninas).

Será que isso vale mesmo a pena? Sério, não consigo acreditar que um homem que se preze, um homem de verdade, possa largar tão facilmente alguém que, até ontem, ele dizia amar. Cumplicidade, momentos de carinho, companheirismo: tudo invalidado por causa de uma data idiota.

Tenho pena desse tipo de homem. (Digo homem, porque, geralmente, são eles é que realizam essa proeza, mas há exceções, claro. Embora eu acredite que seja raro uma mulher agir assim). Isso pra mim é fraqueza de personalidade e imaturidade. Talvez o cara até goste da garota, mas ele não pode bancar o babaca (de fato ele é um) pros amigos. É uma espécie de complô: Início de fevereiro se aproxima, os solteiros evitam se amarrar e os comprometidos dão um jeito de se desenrolar. Caso não desenrolem, o jeito é pular a cerca mesmo.

Mas besta mesmo é a mulher que se permite ficar em depressão por um crápula desses. Esperta é aquela que se valoriza, ergue a cabeça, faz da canalhice dele uma força para desprezá-lo e, assim, dá a volta por cima.

Avançou o calendário. O carnaval acabou e o ano, de fato, começou. A vida segue seu ritmo e tudo volta ao normal. Rotina, trabalho, estudos, finais de semana chuvosos, vontade de ficar quietinho em casa. Passou a empolgação. Ihh, bateu aquela saudade. Ele cria coragem e tenta recuperar seu amor. Ela diz: O amor ? Ahh…Esse você esqueceu em algum canto do Rio de Janeiro, Salvador, Diamantina, Ouro Preto, Pompéu, que seja.  O único amor que restou aqui é o meu próprio. Quanto a você, espero, de coração, que tenha tido um feriado incrível, pois o meu não poderia ter sido mais produtivo: Serviu para ver o quanto eu me enganei com você, com a gente. Be Happy !

Palavra do dia – Mário Quintana

O tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

 

Mário Quintana

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